Magistrado de Presidente Venceslau, interior de SP, afirmou ter interpretado declaração de advogado como ameaça de morte. Polícia Civil investiga o caso.
A Polícia Civil investiga supostas ameaças feitas contra o juiz Deyvison Heberth dos Reis, de Presidente Venceslau (SP), durante uma audiência de instrução e julgamento de um processo sobre crime de organização criminosa armada que envolvia integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Deyvison também é o juiz que decretou a prisão da influenciadora digital Deolane Bezerra, investigada por um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.
Logo após a análise dos pedidos de liberdade das prisões preventivas, o advogado disse ao juiz:
“Diante do que se apurou hoje, com a devida vênia, pela graça de Deus, sob a proteção de Deus, se o senhor não revogar essas prisões, eu temo o senhor não adentrar ao ‘Elísio’”, diz o advogado durante a audiência.
“Elísio” é um termo da mitologia grega que se refere ao paraíso destinado às almas após a morte. No contexto da audiência, a expressão foi interpretada pelo magistrado como uma ameaça velada à sua vida caso não revogasse as prisões preventivas.
Nota de repúdio
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) divulgou uma nota de repúdio às “ameaças, ofensas e acusações pessoais” dirigidas ao juiz.
À TV TEM, o Tribunal de Justiça confirmou que o vídeo se trata de uma audiência online na qual o advogado Marcelo Cebola faz as supostas ameaças, mas não informou a data em que a sessão ocorreu.
Em nota, o Tribunal de Justiça reforçou que o respeito às prerrogativas da advocacia e à liberdade de manifestação não autoriza a prática de intimidações ou ataques pessoais, especialmente quando direcionados a magistrados e agentes públicos no exercício de suas funções.
Diante da gravidade dos fatos divulgados, o TJ-SP e a Procuradoria-Geral de Justiça informaram que oficiarão à Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo (OAB-SP), para que adote imediatamente as medidas cabíveis para a apuração rigorosa da conduta do advogado.
A reportagem tentou contato com o advogado Marcelo Cebola, mas não havia recebido retorno até a última atualização. Também foi solicitado um posicionamento à OAB-SP, mas ainda não havia sido informado se alguma medida havia sido tomada contra o advogado.
A Polícia Civil informou que investiga o caso por meio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), em Presidente Prudente (SP).
Fonte: Por Vinícius Pacheco, TE TEM, g1 Presidente Prudente e Região







