Estudo aponta infecção latente por tuberculose em 36,25% de servidores do sistema penitenciário na região

Pesquisa desenvolvida na Unoeste avaliou 80 profissionais e também investigou toxoplasmose

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Unoeste identificou que 36,25% dos servidores do sistema penitenciário avaliados apresentavam infecção latente por tuberculose (ILTB).

O resultado significa que mais de um em cada três participantes apresentava evidências de contato com a bactéria causadora da tuberculose, mas sem apresentar a forma ativa da doença.

O estudo foi desenvolvido pela biomédica Lyvia Rafaella Takahara Vincoletto, sob orientação da professora Eliana Peresi Lordelo.

Ao todo, participaram da pesquisa 80 servidores, sendo 57 homens e 23 mulheres. Os participantes responderam a um questionário socioeconômico e também forneceram amostras de sangue para as análises.

O que é a tuberculose latente?

Na chamada infecção latente por tuberculose, a pessoa apresenta infecção pela bactéria, mas o sistema imunológico consegue mantê-la sob controle.

Por isso, quem possui ILTB não apresenta os sintomas característicos da tuberculose ativa e não transmite a bactéria.

Em determinadas situações, entretanto, a infecção pode evoluir para a forma ativa da doença. Por esse motivo, a identificação da infecção latente permite que a pessoa seja avaliada e acompanhada pelos serviços de saúde.

O resultado encontrado entre os servidores avaliados chamou a atenção dos pesquisadores justamente pela frequência da infecção no grupo estudado.

Pesquisa também avaliou toxoplasmose

Além da tuberculose latente, o trabalho investigou outros aspectos relacionados à resposta do organismo dos participantes.

Entre eles estavam características genéticas, marcadores inflamatórios, toxoplasmose latente e sintomas relacionados à depressão, ansiedade e estresse.

A pesquisa identificou também uma frequência elevada de toxoplasmose latente: 60% dos participantes apresentaram a infecção.

Segundo os resultados do estudo, a toxoplasmose esteve relacionada a diferenças em um marcador da resposta inflamatória chamado IL-1 beta.

Estudo analisou componente genético

Os pesquisadores também investigaram uma variação genética relacionada ao AIM2, componente do sistema de defesa do organismo que pode participar da resposta inflamatória em determinadas situações.

Entretanto, o estudo não concluiu que essa variação genética determine se uma pessoa terá ou não infecção latente por tuberculose.

Os próprios resultados apontam que as associações relacionadas à genética e à resposta inflamatória ainda precisam ser avaliadas em pesquisas maiores antes que possam ter qualquer aplicação direta na assistência à saúde.

Resultado reforça importância do acompanhamento

Para a orientadora da pesquisa, os resultados reforçam a importância de manter ações de vigilância, prevenção, rastreamento e acompanhamento da tuberculose entre profissionais do sistema penitenciário.

A preocupação está relacionada principalmente ao fato de que mais de um terço dos servidores participantes apresentou evidências de infecção latente.

A identificação dessas pessoas possibilita que elas sejam avaliadas e acompanhadas conforme as recomendações de saúde, contribuindo para reduzir o risco de evolução da infecção para a forma ativa da tuberculose.

A pesquisa também aponta a necessidade de novos estudos para compreender melhor os diferentes perfis de resposta imunológica e contribuir para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e acompanhamento de profissionais expostos.

Pesquisa foi avaliada por professoras

A dissertação foi avaliada pelas professoras Thais Batista de Carvalho, da Unoeste, e Amanda Aparecida Silva de Aguiar, da Etec Deputado Francisco Franco, de Rancharia.

O estudo amplia o conhecimento sobre a ocorrência da infecção latente por tuberculose entre trabalhadores do sistema penitenciário e sobre diferentes fatores relacionados à resposta imunológica nesse grupo.

Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que os achados relacionados à genética e aos marcadores inflamatórios ainda precisam ser confirmados por estudos com amostras maiores.

Fonte: ocnet