MP afirma que Estre Ambiental pagou propina a vereadores de Bauru para aprovar concessão do lixo
Novos documentos do Ministério Público aos quais a TV TEM teve acesso mostram que parlamentares da Câmara Municipal de Bauru (SP) receberam propina da empresa Estre Ambiental para aprovar o projeto de concessão dos serviços do lixo, votado na sessão de 9 de dezembro.
Segundo a Promotoria, as negociações contaram com a atuação direta do ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), investigado na Operação Cavalo de Troia.
De acordo com a manifestação, os repasses de propina eram intermediados pela Core Investimentos. O MP já havia indicado anteriormente que notas fiscais emitidas, entre 8 de dezembro de 2025 e 27 de agosto de 2026, sob a justificativa de contratos de consultoria totalizam quase R$ 4 milhões, o que evidenciaria um fluxo financeiro contínuo e estruturado, e não pagamentos eventuais.
Purini segue preso preventivamente por suspeita de fraude na licitação voltada à gestão de resíduos sólidos no município.
As novas informações constam em manifestação contrária ao pedido da Estre Ambiental para desbloquear bens retidos pela Justiça. A defesa da empresa alegou que o bloqueio de R$ 20 milhões em ativos, determinado na terceira fase da operação, comprometeria o pagamento de salários dos funcionários.
“Quem dispunha de recursos para fazer pagamentos de R$ 750 mil, R$ 650 mil e R$ 560 mil para remunerar agentes públicos corrompidos não pode alegar insuficiência de caixa para honrar encargos trabalhistas regulares”, rebateu o Ministério Público no documento.
A promotoria também citou que Mário Luiz Silvério, ligado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), teria solicitado e recebido mais de R$ 500 mil em propina para direcionar os estudos técnicos da entidade a favor da concessionária.
Um dos pagamentos destacados pelo Ministério Público foi realizado em 8 de setembro, no valor de R$ 750 mil. Na mesma data, a Câmara Municipal de Bauru votou o projeto de lei que autorizava a concessão do serviço de gestão de resíduos sólidos que, por enquanto, não é o alvo da investigação.
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STF nega transferência de processo e mantém na Justiça de Bauru apuração sobre fraude na concessão do lixo
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de transferência do processo da Operação Cavalo de Troia para o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Com a decisão desta terça-feira (22), as investigações que apuram suspeitas de fraude na licitação bilionária do lixo em Bauru (SP) continuam sob a responsabilidade da Justiça da cidade.
A solicitação havia sido apresentada pela defesa do empresário Hamilton Libório Agle, ex-CEO da empresa Estre Ambiental, sob a alegação de um possível envolvimento da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (PSD) , o que exigiria foro privilegiado.
Fonte: TVTEM – Bauru e Marília









