Medida permite acesso aos estádios, mas sem símbolos de identificação
A Federação Paulista de Futebol (FPF) acatou recomendação dos promotores Roberto Bacal e Daniela Hashimoto e suspendeu administrativamente a torcida organizada Torcida Jovem Camisa 12 – Jogador das Arquibancadas, até o fim de 2026. O documento, assinado nesta quarta-feira (28/10), foi expedido pelo MPSP em virtude de episódio ocorrido em 16 de setembro e marcado por atos violentos de intimidação direcionados à equipe do Sport Club Corinthians Paulista. Com a medida, os associados poderão ingressar nos estádios durante jogos de todas as categorias, mas sem faixas, bandeiras, instrumentos musicais ou quaisquer artefatos ou indumentárias que permitam identificar a organização.
Bacal e Daniela, que oficiam na Promotoria do Juizado Especial Criminal Central, fizeram referência a fatos registrados após a partida entre Corinthians e Estudiantes de La Plata, válida pelas quartas de final da Copa Libertadores, quando torcedores se concentraram nas proximidades da Neo Química Arena, em São Paulo, e abordaram veículos que deixavam o estádio para identificar se transportavam jogadores do Corinthians. As abordagens, segundo relatório policial, evoluíram para cercamento de automóveis, constrangimento dos ocupantes, chutes contra veículos e arremesso de objetos. Houve ainda relato de possível disparo de arma de fogo para o alto.
A Promotoria levou em conta também que a torcida havia firmado, em outubro de 2025, Termo de Ajustamento de Conduta com o MPSP, comprometendo-se a afastar-se de violência, tumultos, brigas, ameaças, agressões e outras condutas que comprometessem a segurança. O documento previa a aplicação de medidas educativas em caso de envolvimento da torcida em atos violentos ou situações que colocassem em risco a ordem pública, incluindo a suspensão do comparecimento aos estádios.
Durante as apurações sobre a ocorrência de setembro de 2026, as autoridades analisaram registros audiovisuais, realizaram pesquisas em sistemas policiais e colheram declarações de testemunhas e de integrantes da própria torcida que admitiram participação nas atividades. A Polícia Civil pediu o afastamento dos torcedores identificados e a adoção de medidas contra a torcida, diante dos fatos e do descumprimento das obrigações assumidas no TAC. Para os promotores, os acontecimentos representaram uma “distorção da cultura da paz no esporte por mero descontentamento em virtude de um placar contrário à vitória”.
A direção da torcida informou ter colaborado com as investigações e identificado torcedores envolvidos, mas, segundo o documento, não apresentou informações sobre punições administrativas aplicadas aos associados que participaram dos atos.






