Cotações recuam em Nova Iorque e Londres após forte valorização recente; petróleo mais barato também reduz a atratividade do etanol e pode favorecer maior produção de açúcar.
Os preços do açúcar fecharam em forte queda nesta terça-feira (25) nas bolsas internacionais, pressionados pela expectativa de que a Índia importe menos açúcar do que o inicialmente previsto e pela queda dos preços do petróleo. O movimento levou a cotação do açúcar branco em Londres ao menor nível em uma semana, enquanto os investidores também ajustaram posições após as máximas alcançadas na semana passada.
Em Nova Iorque, o contrato de outubro fechou em queda de 38 pontos, negociado a 17,27 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de açúcar branco de outubro recuou 189 pontos, para US$ 517,00 por tonelada.
Índia deve importar menos
Um dos principais fatores de pressão sobre o mercado continua sendo a possibilidade de que a Índia realize compras externas menores do que o limite autorizado pelo governo.
A Greenleaf, empresa indiana de análise do setor açucareiro, estima que o país não conseguirá importar mais de 500 mil toneladas até 31 de outubro, metade das 1 milhão de toneladas autorizadas.
Na última quinta-feira (20), a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia anunciou a autorização para a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.
A medida tinha como objetivo ampliar a oferta doméstica e conter os preços diante da expectativa de aumento do consumo durante a temporada de festas.
A possibilidade de que apenas metade desse volume seja efetivamente importada reduz a expectativa de demanda adicional no mercado internacional e, consequentemente, tira parte do suporte das cotações.
Além disso, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) afirmou que não há escassez de açúcar no país e que o abastecimento é suficiente para atender à demanda durante a próxima temporada de festivais.
A entidade também projeta que a produção indiana de açúcar em outubro alcance 1 milhão de toneladas, acima dos níveis normais de 300 mil a 400 mil toneladas.
Petróleo recua e pressiona etanol
Outro fator que pesou sobre os preços do açúcar nesta terça-feira foi o mercado de petróleo.
As cotações do petróleo bruto recuaram cerca de 3%, atingindo o menor nível em uma semana. A queda reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis e pode influenciar a decisão das usinas sobre o destino da cana-de-açúcar.
Com o etanol menos atrativo, aumenta a possibilidade de que usinas direcionem uma parcela maior da matéria-prima para a produção de açúcar, elevando a disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Esse fator ganha relevância principalmente em países produtores que podem alternar entre açúcar e etanol de acordo com a rentabilidade de cada produto.
Mercado corrige ganhos recentes
A queda ocorre depois de uma forte sequência de valorização. Na última quinta-feira (20), o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto Londres alcançou o maior nível em 17 meses, diante das preocupações com uma oferta global mais restrita.
Com os preços próximos das máximas recentes, o mercado passou por uma liquidação de posições compradas, com investidores realizando parte dos ganhos acumulados.
Apesar da correção, as perspectivas de oferta continuam no radar. Diferentes consultorias vêm revisando suas projeções para o balanço global de açúcar.
A Covrig Analytics passou a estimar um déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, ante uma previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
A Green Pool Commodity Specialists ampliou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX passou a estimar um déficit de 1,7 milhão de toneladas.
A Czarnikow também revisou seu balanço para 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, em parte devido ao maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.
Fonte: noticiasagricolas







