Itapeva decreta estado de calamidade pública após contaminação da água por parasita

Medida vale por 180 dias e autoriza ações emergenciais de abastecimento. O município registrou mais de 4,3 mil atendimentos por gastroenterite entre 13 de setembro e 31 de outubro.

Medida vale por 180 dias e autoriza ações emergenciais de abastecimento. O município registrou mais de 4,3 mil atendimentos por gastroenterite entre 13 de setembro e 31 de outubro.

🔎 O protozoário Cryptosporidium spp. afeta as células do intestino delgado e pode ser transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de humanos ou animais infectados. Ele causa diarréia intensa, cólicas, náuseas, vômitos e febre.

🔎 Já a Escherichia coli enteroagregativa adere às células da mucosa intestinal e secreta toxinas que danificam o intestino. A transmissão ocorre da mesma forma e causa diarréias líquidas, mal-estar e febre baixa, que podem durar mais de duas semanas e causar danos na absorção de nutrientes.

A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 15.526, publicado no Diário Oficial do Município. O documento aponta que análises laboratoriais realizadas nos dias 28 de outubro e 4 de novembro identificaram a presença dos dois microrganismos em amostras coletadas na rede de abastecimento.

A administração municipal classificou a situação como um desastre biológico de Nível III, considerado de grande intensidade. Segundo o decreto, o problema compromete a capacidade de resposta do município e exige a mobilização coordenada dos governos municipal, estadual e federal.

A declaração de calamidade pública terá validade de 180 dias, contados a partir da publicação. Caso a situação continue após esse período, a prefeitura deverá emitir um novo decreto, acompanhado de outra justificativa técnica.

O que muda com o decreto

Com a medida, a prefeitura fica autorizada a adotar ações emergenciais para garantir o abastecimento de água potável e reduzir os riscos à saúde da população.

Entre as medidas previstas estão a distribuição gratuita de água por caminhões-pipa e pontos fixos, a contratação emergencial de serviços de transporte e fornecimento de água e a instalação de locais de distribuição em escolas, unidades de saúde e outros espaços públicos.

O decreto também permite restringir temporariamente o uso da água da rede pública para consumo humano, desde que a população seja comunicada previamente e tenha acesso a formas alternativas de abastecimento.

Na área da saúde, a Secretaria Municipal deverá intensificar o monitoramento dos casos de diarreia aguda, ampliar o atendimento nas unidades e realizar exames laboratoriais para identificar os agentes causadores das doenças.

As escolas municipais também deverão receber água potável por meio de abastecimento alternativo enquanto durar a contaminação. O documento prevê ainda a suspensão do uso da água da rede pública para consumo, preparo de alimentos e higiene pessoal nas unidades escolares quando os laudos técnicos indicarem risco.

Divulgação diária de informações

O decreto determina que a prefeitura divulgue diariamente, nos canais oficiais, os resultados das análises da água, o número de casos notificados de doenças relacionadas à contaminação, os pontos de distribuição de água potável e os horários de atendimento.

A administração municipal também deverá solicitar ao governo estadual a homologação da situação de calamidade e encaminhar o pedido de reconhecimento federal no prazo de até dez dias após a publicação do decreto.

A Sabesp e a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) deverão ser comunicadas formalmente sobre a medida para que adotem as providências de suas responsabilidades e apurem as causas da contaminação.

Medidas da Sabesp

Após o Instituto Adolfo Lutz identificar, novamente, um protozoário na água distribuída à população de Itapeva (SP), a Sabesp anunciou seis novas medidas para reforçar o tratamento e o monitoramento da água, ampliar o atendimento à população e ajudar a esclarecer as causas do surto de gastroenterite.

Segundo a companhia, serão investidos R$ 50 milhões no pacote de ações. Entre as iniciativas está a criação de uma Comissão Técnica Independente, coordenada pelo médico infectologista David Uip e integrada pela especialista Ângela Di Bernardo e pelo microbiologista Daniel Cerqueira.

O grupo será responsável por avaliar os processos de tratamento e distribuição de água, aprofundar as análises técnicas e recomendar eventuais medidas adicionais.

Entre 6 de novembro e 5 de dezembro, a Sabesp suspenderá a cobrança das tarifas de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto no município. A medida, segundo a Sabesp, será aplicada automaticamente às contas emitidas no período, sem necessidade de solicitação por parte dos moradores.

Segundo a Sabesp, as medidas abaixo já estão em andamento:

  • Ampliação da capacidade de filtração da água e intensificação dos processos de desinfecção, incluindo o reforço da cloração;
  • Intensificação das descargas de rede para promover a renovação da água no sistema de distribuição;
  • Realização de quatro coletas diárias em diferentes pontos da cidade, além de análises adicionais em laboratórios próprio e independente;
  • Fornecimento de água potável por caminhões-pipa em locais indicados pelo poder público municipal;
  • Instalação de caixas d’água em escolas para aumentar a capacidade de armazenamento.

Fonte: g1 / Itapetininga e região