CNI identificou cerca de 300 oportunidades de exportação para a Noruega após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e EFTA
CNI identificou cerca de 300 oportunidades de exportação para a Noruega após a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e EFTA.
O início da aplicação do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) nas relações entre Brasil e Noruega, em 1º de novembro, trouxe novas perspectivas para a indústria nacional. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou cerca de 300 oportunidades de exportação para empresas brasileiras no mercado norueguês, impulsionadas pela previsão de redução de tarifas e por mudanças nas regras que regulam o comércio entre os países.
A nova etapa do tratado ocorre de maneira gradual e envolve quatro mercados europeus. Além da Noruega, a EFTA é formada por Islândia, Suíça e Liechtenstein, mas a aplicação do acordo ainda não alcança todos os integrantes. As disposições comerciais já produzem efeitos entre Brasil e Islândia desde outubro, enquanto suíços e liechtensteinenses continuam seus procedimentos internos para colocar o tratado em vigor.
Exportações brasileiras para a Noruega cresceram 110,9% em uma década
As novas possibilidades identificadas pela CNI surgem em um cenário de expansão das relações comerciais entre brasileiros e noruegueses. Somente em 2025, as transações entre os dois países movimentaram US$ 2,3 bilhões, resultado de uma trajetória de crescimento registrada ao longo dos últimos dez anos.
Nesse intervalo, o comércio bilateral acumulou uma expansão de 84,8%, enquanto as exportações do Brasil para a Noruega aumentaram 110,9%. Os produtos da indústria de transformação tiveram participação de destaque nesse avanço, que antecede a aplicação das novas condições comerciais.
Com o tratado, a perspectiva é de que a diminuição das barreiras tarifárias amplie as possibilidades de negócios para fabricantes brasileiros. Isso inclui tanto empresas que já comercializam seus produtos no mercado norueguês quanto aquelas interessadas em iniciar operações de exportação.
Mercado europeu movimentou US$ 3,8 bilhões em compras de produtos brasileiros
A importância comercial da EFTA vai além das oportunidades identificadas na Noruega. Em 2025, os quatro países que integram a associação receberam US$ 3,8 bilhões em exportações brasileiras, o maior montante registrado em uma década e um crescimento de 22,6% em comparação com 2024.
Esse desempenho coloca a EFTA como o terceiro principal destino das mercadorias brasileiras na Europa, atrás apenas da União Europeia e do Reino Unido. Juntas, as economias de Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein apresentaram um Produto Interno Bruto próximo de US$ 1,6 trilhão em 2025, além de elevado poder de compra.
O alcance previsto para o acordo também chama a atenção. De acordo com estimativas do governo brasileiro, quase 99% do valor das exportações nacionais destinadas à EFTA poderá ter acesso ao livre comércio quando todas as concessões negociadas estiverem implementadas.
Esse percentual, entretanto, representa o potencial de abertura após o cumprimento dos compromissos previstos, e não uma liberação imediata de tarifas para todas as mercadorias. O tratado estabelece condições e prazos que precisam ser observados pelas empresas interessadas em utilizar os benefícios.
Redução de tarifas exige comprovação da origem dos produtos
Essas exigências têm importância prática para os exportadores, pois a aplicação dos benefícios depende da comprovação de que os produtos atendem às condições estabelecidas no tratado.
Com o objetivo de orientar o setor industrial, a CNI desenvolveu uma cartilha voltada à interpretação dessas regras. O material será apresentado em 5 de novembro e explicará os procedimentos de comprovação de origem necessários para acessar as reduções tarifárias.
A confederação também preparou um manual que examina os compromissos comerciais assumidos pelos países. A publicação aborda as disposições do acordo e estabelece comparações com negociações mais recentes do Mercosul, incluindo os tratados com Singapura e União Europeia.
Entre os pontos contemplados estão as condições de acesso aos mercados, os compromissos de redução tarifária e as normas que poderão influenciar as operações comerciais das empresas brasileiras.
CNI promoverá encontro para explicar as novas oportunidades de exportação
As dúvidas sobre a aplicação do tratado também serão abordadas em um webinar gratuito organizado pela CNI para quinta-feira, 5 de novembro, às 16h, com transmissão ao vivo pelo canal da entidade no YouTube. A participação exige inscrição prévia.
O evento, denominado “Acordo Mercosul-EFTA: Oportunidades para a Indústria Brasileira”, reunirá integrantes da Embaixada da Noruega, representantes empresariais e autoridades do governo brasileiro para discutir os efeitos das novas condições comerciais sobre a indústria.
A programação inclui esclarecimentos sobre os prazos de redução das tarifas, as exigências específicas de cada mercado e os setores com maior potencial de abertura. Também serão apresentados os produtos brasileiros que poderão encontrar oportunidades de comercialização e as orientações para empresas que já exportam ou pretendem ingressar no comércio internacional.
A superintendente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, avalia que o acordo representa uma oportunidade para ampliar investimentos e fortalecer a presença de produtos nacionais no exterior. A dirigente destaca que a entidade acompanhou as negociações e agora busca contribuir para que os compromissos assumidos se traduzam em benefícios concretos para a indústria.
Entendimento comercial começou em 2000 e avançou após 15 rodadas de negociação
A construção do acordo Mercosul-EFTA tem origem em um processo de aproximação iniciado em 2000. Naquele ano, os blocos assinaram uma declaração conjunta voltada ao comércio e aos investimentos, que também estabeleceu um comitê responsável por conduzir o diálogo entre as partes.
A etapa formal das negociações começou somente em 2017. Desde então, foram realizadas 15 rodadas de discussão, com participação do setor produtivo brasileiro por meio da Coalizão Empresarial Brasileira, mobilizada pela CNI em articulação com o governo federal.
Entre os compromissos incorporados ao tratado estão a eliminação de tarifas de importação para produtos industriais, mecanismos mais flexíveis de certificação de origem, medidas para reduzir obstáculos técnicos ao comércio e disposições relacionadas à propriedade intelectual, incluindo indicações geográficas.
Fonte: clickpetroleoegas/ Escrito por Ruth Rodrigues









