Tonelada de soja rende cerca de US$ 450, mas pode virar frango de US$ 2 mil ou carne suína de US$ 3,5 mil, diz presidente da Coopavel ao defender mais processamento no Brasil

Na AveSui 2026, em Cascavel, Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, defendeu transformar grãos em proteína animal para agregar valor às exportações brasileiras. Segundo ele, soja rende cerca de US$ 450 por tonelada, contra US$ 2 mil do frango e US$ 3.500 da carne suína, com logística decisiva para maior competitividade.

O Brasil pode ampliar o valor de suas exportações ao transformar parte da produção de soja e milho em carne de frango, suína e outras proteínas animais, em vez de comercializar somente os grãos. A avaliação é de Dilvo Grolli, diretor-presidente da Coopavel, que apresentou uma comparação entre os preços dos produtos no comércio internacional: enquanto uma tonelada de soja rende aproximadamente US$ 450, uma tonelada de frango exportado alcança cerca de US$ 2 mil, e a de carne suína chega a US$ 3.500.

As declarações foram feitas durante a AveSui 2026, em Cascavel, no Paraná, em entrevista à Agrimídia, publicada em outubro de 2026. Grolli defendeu o aproveitamento da demanda internacional por proteína animal e destacou que a competitividade brasileira depende da integração entre produção agrícola, fabricação de ração, frigoríficos e infraestrutura de transporte.

Tonelada de soja exportada rende cerca de US$ 450, segundo presidente da Coopavel

A soja foi utilizada por Dilvo Grolli como ponto de partida para demonstrar a diferença de valor entre a exportação de matérias-primas agrícolas e a comercialização de produtos de origem animal.

Segundo os valores apresentados pelo dirigente, uma tonelada de soja exportada gera aproximadamente US$ 450 em receita.

O número representa uma referência de valor comercial mencionada na entrevista, não uma estimativa de lucro para o produtor rural.

Grolli considera que o Brasil possui uma estrutura favorável para utilizar parte dos grãos na produção de ração destinada às cadeias de proteína animal.

Milho gera cerca de US$ 220 por tonelada nas exportações

O milho aparece na comparação com um valor ainda menor do que o atribuído à soja.

De acordo com o presidente da Coopavel, uma tonelada de milho exportada rende aproximadamente US$ 220.

A diferença de preços sustenta o argumento de que o processamento dos grãos pode ampliar o valor comercial dos produtos vendidos ao exterior.

No modelo defendido por Grolli, a produção agrícola abastece fábricas de ração, que fornecem insumos para a criação de animais destinados à indústria frigorífica.

Essa integração permite que diferentes etapas produtivas sejam realizadas no Brasil antes da exportação.

Frango exportado alcança aproximadamente US$ 2 mil por tonelada

A carne de frango é um dos exemplos apresentados pelo dirigente para demonstrar a agregação de valor.

Segundo Grolli, uma tonelada de frango exportada rende cerca de US$ 2 mil, valor superior aos US$ 450 atribuídos à mesma medida de soja comercializada diretamente.

Os números mostram a diferença de receita por tonelada entre produtos distintos. Não significam, porém, que uma tonelada de soja seja suficiente para produzir uma tonelada de carne de frango.

A transformação envolve etapas de alimentação, criação, processamento e comercialização, que também possuem custos próprios.

O argumento do presidente da Coopavel está relacionado ao potencial de ampliar o valor das exportações ao desenvolver essas atividades dentro do país.

Carne suína pode atingir US$ 3.500 por tonelada no mercado externo

A carne suína apresenta o maior valor entre os quatro produtos comparados pelo dirigente.

De acordo com os números mencionados na entrevista, uma tonelada de carne suína exportada rende aproximadamente US$ 3.500.

O valor supera o atribuído à soja, ao milho e à carne de frango, considerando as referências comerciais apresentadas por Grolli.

A comparação é utilizada para defender o fortalecimento das atividades de processamento e produção de proteína animal.

O dirigente avalia que a estrutura brasileira de produção de grãos oferece condições para ampliar o abastecimento dos frigoríficos e aproveitar a demanda internacional.

Transformar grãos em ração pode aumentar a renda do produtor rural

A integração entre agricultura e pecuária é uma das principais estratégias defendidas pelo presidente da Coopavel.

Segundo Grolli, a disponibilidade de grãos permite abastecer a indústria de ração e ampliar a produção de carnes.

O dirigente considera que essa transformação pode aumentar a renda do produtor rural e fortalecer o abastecimento dos frigoríficos.

A presença de diferentes etapas da cadeia produtiva também é apontada por ele como uma oportunidade de geração de empregos e tributos.

Grolli destacou que a indústria brasileira está adaptada às exigências do mercado internacional, condição que considera importante para ampliar a participação do país na oferta global de alimentos.

Demanda mundial por proteína animal representa oportunidade para o Brasil

O presidente da Coopavel avalia que o aumento da procura internacional por proteína animal oferece uma oportunidade de expansão para o agronegócio brasileiro.

Entre os produtos mencionados estão carne de frango, carne suína, peixes e leite.

Na avaliação de Grolli, o país reúne condições competitivas de produção e logística que podem ser aproveitadas para ampliar sua participação nesse mercado.

O dirigente defende que o Brasil utilize sua produção agrícola como base para desenvolver outras atividades industriais ligadas aos alimentos.

Cerca de 33% do território paranaense estaria protegido, afirma Grolli

O dirigente também utilizou o Paraná para defender a possibilidade de conciliar produção agropecuária e preservação ambiental.

Segundo Grolli, aproximadamente 33% do território estadual está protegido, considerando a reserva legal obrigatória de 20% das propriedades rurais e as áreas de proteção de rios e lagos.

O percentual foi apresentado pelo presidente da Coopavel como parte de seu argumento sobre a utilização do território.

O dirigente relacionou essa condição à posição do Paraná na produção de grãos e proteínas animais.

Presidente da Coopavel afirma que Brasil preserva cerca de 60% do território

Dilvo Grolli também contestou a imagem do Brasil como um país associado exclusivamente ao desmatamento.

Segundo a avaliação apresentada por ele, cerca de 60% do território brasileiro é preservado, considerando a Floresta Amazônica, áreas protegidas em propriedades rurais e outras reservas.

O dirigente utilizou essa estimativa para sustentar que o Brasil possui condições de ampliar a produção de alimentos sem abandonar a preservação ambiental.

A informação corresponde aos números citados por Grolli durante a entrevista.

Agricultura ocuparia de 10% a 11% do Brasil, enquanto pastagens representariam 20%

A distribuição das atividades agropecuárias pelo território nacional também foi abordada pelo dirigente.

Segundo os percentuais apresentados, a agricultura ocupa entre 10% e 11% do território brasileiro, enquanto as pastagens representam aproximadamente 20%.

Grolli resumiu essa participação ao afirmar que cerca de 30% do país é utilizado nessas atividades.

O presidente da Coopavel considera que o Brasil ainda possui espaço para ampliar sua produção de alimentos.

Na avaliação dele, esse crescimento precisa preservar as condições ambientais e garantir produtos com qualidade sanitária e preços competitivos no mercado internacional.

Transporte fluvial custaria US$ 20 por tonelada a cada mil quilômetros

A logística foi outro ponto destacado por Dilvo Grolli como fator decisivo para a competitividade das exportações brasileiras.

Segundo referências internacionais citadas por ele, transportar uma tonelada de carga por mil quilômetros pela via fluvial custa aproximadamente US$ 20.

Esse valor foi apresentado como o menor entre os três modais de transporte comparados.

O dirigente argumentou que a escolha da infraestrutura logística precisa considerar as características geográficas e econômicas de cada região.

O transporte de grãos, rações e produtos industrializados depende dessas condições para chegar aos mercados consumidores.

Ferrovia custaria US$ 40 e rodovia chegaria a US$ 60 por tonelada

A comparação apresentada pelo presidente da Coopavel também incluiu os transportes ferroviário e rodoviário.

Segundo os valores citados, movimentar uma tonelada de carga por mil quilômetros custa aproximadamente US$ 40 por ferrovia e US$ 60 por rodovia.

A referência indica um custo rodoviário três vezes superior ao fluvial, considerando os números mencionados pelo dirigente.

Grolli utilizou essa diferença para demonstrar como o transporte pode influenciar a competitividade dos produtos brasileiros.

Os valores representam referências gerais apresentadas na entrevista, e não cotações específicas para determinada rota ou operação comercial.

Paraná não possui rios aproveitáveis para transporte de cargas, diz dirigente

O presidente da Coopavel destacou que a infraestrutura logística precisa acompanhar as condições de cada região brasileira.

Segundo Grolli, o Paraná não dispõe de rios aproveitáveis para o transporte de cargas, modalidade que ele considera a mais barata entre as alternativas comparadas.

Essa característica foi apresentada como um dos fatores que exigem soluções logísticas adaptadas à realidade estadual.

O dirigente também destacou a dimensão territorial brasileira, com mais de 5 mil quilômetros de extensão de norte a sul.

Na avaliação dele, as diferenças regionais tornam necessário desenvolver alternativas de transporte compatíveis com a vocação produtiva de cada área.

Coopavel defende ampliar processamento de grãos para fortalecer exportações brasileiras

A proposta apresentada por Dilvo Grolli durante a AveSui 2026 está concentrada no aumento do valor agregado da produção agropecuária nacional.

O presidente da Coopavel considera que a combinação entre grãos, produção de ração, criação de animais, frigoríficos e logística pode ampliar as oportunidades econômicas do país.

A comparação entre US$ 450 por tonelada de soja, US$ 220 de milho, US$ 2 mil de frango e US$ 3.500 de carne suína sustenta a avaliação de que o processamento pode gerar produtos de maior valor comercial.

Grolli também defendeu investimentos em logística adequada às características de cada região e crescimento da produção com preservação ambiental.

A proposta apresentada na entrevista não estabelece metas de produção ou prazos de investimento. Trata-se de uma avaliação do dirigente sobre como o Brasil poderia aproveitar sua capacidade agrícola e a demanda internacional por alimentos.

Fonte: clickpetroleoegas/ Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges