Shamonda: o que sabemos sobre o vírus que se pensava intransmissível para humanos e acaba de matar uma pessoa em França

Vírus comum em África e Japão chegou pela primeira vez à Europa este verão

O primeiro caso conhecido de vírus Shamonda em humanos foi reportado em França esta quinta-feira. O doente faleceu, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que, até ao momento, se trata de um caso isolado e que não existe qualquer risco para a população em geral.

A OMS está “em contacto com as autoridades francesas e a acompanhar de perto a situação”, informou a agência numa publicação nas redes sociais, e planeia partilhar atualizações à medida que for obtendo mais informações.

O vírus afeta principalmente gado

O vírus Shamonda foi identificado pela primeira vez em bovinos na Nigéria em 1965, segundo a OMS.

É normalmente reportado em bovinos, mas também já houve casos em ovinos, caprinos, cavalos e alpacas.

Os animais infetados podem apresentar sinais clínicos, incluindo febre, diarreia e redução da produção de leite, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH). O vírus pode também causar anomalias congénitas em vitelos recém-nascidos.

Foi identificado recentemente na Europa

A maioria dos casos de vírus Shamonda foi identificada em África e no Japão.

Foi detetado pela primeira vez na Europa este verão, em bovinos no sul da Alemanha e na Suíça. Desde então, também foi identificado em animais noutras partes da Europa Ocidental, incluindo a Áustria, a Bélgica e a França.

É transmitido por picadas de insetos

O vírus é transmitido aos animais através da picada de um mosquito Culicoides, um pequeno inseto semelhante a uma mosca. A OMS afirma que são necessários mais estudos para compreender a espécie exata envolvida.

Não se sabe se se propaga de animal para animal, exceto de um animal infetado para o feto durante a gestação.

O vírus Shamonda é classificado como um Orthobunyavirus; pertence ao subgrupo Simbu, que inclui também o vírus Schmallenberg. Os surtos causados ​​por este grupo “tendem a ocorrer em ciclos, seguindo os padrões sazonais dos mosquitos”, de acordo com a WOAH. Mas os padrões na Europa podem diferir daqueles em locais onde os vírus são endémicos.

Risco para os humanos é considerado baixo

As autoridades francesas suspeitam que a pessoa que teve o vírus Shamonda tenha sido picada por um mosquito portador do vírus.

As autoridades de saúde afirmam que são necessárias mais investigações para confirmar como a pessoa foi infetada e para perceber se o vírus causou ou contribuiu para a sua morte.

O paciente estava a receber tratamento para uma doença grave que o tornava mais suscetível à infeção do que a população em geral, de acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.

“Os bunyavírus variam na sua capacidade de infetar os humanos”, afirma a WOAH. “Devem ser realizadas avaliações de risco específicas para determinar as medidas de biossegurança e biocontenção necessárias para o manuseamento de materiais infecciosos em laboratório.”

Vigilância é limitada

A WOAH incentiva os países a reportarem voluntariamente os casos do vírus Shamonda, mas tal não é obrigatório.

São também necessários testes laboratoriais para confirmar a infeção em animais, uma vez que os sinais clínicos podem ser semelhantes aos de outras doenças.

Atualmente, não existem tratamentos ou vacinas para o vírus Shamonda.

Fonte: CNNPortugal/ por CNN , Deidre McPhillips